Veio então o primeiro ano de USP e, além das aulas, os bares, as gincanas, o teatro, as bandas novas e os jogos e viagens. Acho que a primeira destas inesquecíveis viagens foi para Ribeirão Preto. Já não sei dizer qual era a competição, mas lembro bem da turma toda reunida, das tardes bebendo na beira do lago que fica no campus da USP de lá ou no famoso Pingüim, das madrugadas caminhando pela cidade apenas horas antes de disputar as partidas. Sinto saudade.
Mas agora sou um aluno Mackenzie e estive no Interpsico 2006, uma viagem como aquelas dos velhos tempos. Infelizmente os pais das mocinhas, coleguinhas de sala, não deixaram que elas fossem conosco para o sítio que ficava estratégicamente perto da cidade de Salto, SP. Tudo bem, se eu fosse pai também teria problemas em deixar uma filha sozinha durante um fim de semana em um sítio com um rapaz como eu, mas também não acredito que seja muito seguro deixar a mesma filha em um alojamento porco no centro da cidade… De qualquer forma, reunimos um grupo de amigos que irei identificar por pseudônimos para não criar problemas: Escobar, o boliviano, também conhecido como Vulva (não me perguntem o motivo); Cowboy, o garoto de chapéu com poderes mediúnicos; Goiano, que apesar do apelido não é de Goiás, Cabeleira, um lutador de Kung-Fu com longas madeixas e orelhas pontudas, parece um Cavaleiro do Zodíaco meio Spock, e PPM, um menino “gigante”. Outros também estavam presentes, tinha até um amigo do Cabeleira com nome de condimento, acho que era “Alho” ou “Mostarda”.
Já na chegada ao sítio percebemos que o fim de semana seria dos mais interessantes e cheios de surpresas. Preocupado por não ter tido tempo hábil para preparar uma comida decente, nosso anfitrião nos deixou apenas um delicioso pernil assado com ervas finas. Coisa simples. O pai do Escobar também nos forneceu um refrigerante de maça muito do gostoso mas que não deveria ter sido misturado com vodka, como mais tarde iríamos descobrir. Assim que ficamos prontos (maquiagem feita e algumas h-o-r-a-s para definirmos o que vestir), fomos em direçãoa Salto, pela Rodovia do Açúcar.
Ao chegarmos tivemos a primeira impressão sobre Salto, que se mostrou totalmente verdadeira: as pessoas simplesmente não sabem dar informações naquela cidade. Parece que sempre deixam uma parte importante do que deveria ser dito escondida só para ver se vamos adivinhar. Mesmo assim, chegamos ao alojamento do Mackenzie bem na hora em que nossas amigas estavam trocando de roupa e se preparando para a festa que ocorreria mais tarde. Isso que é timing! Uma delas ficou espantada ao saber que nosso sítio tinha mais de um chuveiro quente, e daí podemos imaginar a qualidade do lugar em que estavam. As horas seguintes foram repletas de diálogos insólitos na porta do alojamento. Tocávamos hinos de uma faculdade que as pessoas ali nem conheciam e não falávamos coisa com coisa. Cowboy fazia sucesso com as mocinhas por ter trabalhado em Hollywood, no filme Brokeback Mountain. “Mas eu era o loirinho”, ele dizia enquanto imitava o Silvio Santos, dava cartões amarelos para os rapazes e jogava vinho (Sangue de Boi) nas meninas que passavam de carro. Goiano pintava uma das paredes com uma tinta estranha e biodegradável enquanto Cabeleira fazia o approach nas meninas sem nunca duvidar do susto que dava nelas, observado de perto pelo seu amigo condimento (o que sempre acompanha). São lembranças inesquecíveis deste momento os inimigos que fizemos em nossa própria faculdade e o “funk do tá aqui!”, que nos foi ensinado por um transeunte, além do decote da “tuberculosa” (que pulava enquanto ela tossia) e da menina de Osasco que tinha um francês impecável (ao menos para quem estava bêbada) e, para variar, me deixou apaixonado por isso. Mas era chegada a hora de irmos para a primeira festa em Salto e saímos então no carro do Cowboy, seguindo o ônibus do Mackenzie.
CONTINUA…
A seguir: o homem que virava árvore, histórias de fantasmas, o pato da USP-Ribeirão e mais!
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Escrito por Doni










