Segunda-feira, 5 Fevereiro 2007
Um resumo da aula de hoje da matéria Introdução à Psicologia Psicanalítica:
Traduzir-se
Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém, fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim pesa, pondera
Outra parte delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte linguagem
Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida e morte
Será arte ? - Ferreira Gullar
Porque a busca pelo entendimento do homem deve começar pela poesia…
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Escrito por Doni
Segunda-feira, 3 Julho 2006
Estava em uma fila hoje e, para passar o tempo, resolvi abrir aquele livrinho tão interessante que ganhamos quando começamos qualquer curso universitário (mais um pouco e eu terei uma coleção deles). Além de ficar babando (literalmente) pelas matérias que estão pela frente, fiz uma deliciosa descoberta: a partir do quarto semestre poderei começar também minha
licenciatura. Serão ao menos três matérias a mais por semestre, incluindo estimulantes aulas nas manhãs de sábado, mas é o pontapé inicial para meu projeto de ser, finalmente, professor.
Lecionar está entre os grandes prazeres de minha vida, mesmo que as experiências nesta área não sejam ainda lá muito numerosas, são suficientes para que eu tenha desenvolvido esta verdadeira paixão que me leva a crer que, qualquer que seja minha carreira, serei também um educador.
O problema é que se a senhorita Verga Lião continuar divulgando determinados diálogos meus em mesas de bar dificilmente alguém terá coragem de me contratar para dar aulas…
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Egotrip, Psicologia |
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Escrito por Doni
Sexta-Feira, 27 Janeiro 2006
E o mundo ganhará mais um psicólogo. Após uma briga feia com a
administração de empresas (que deixou seqüelas) e um bom tempo no “limbo” em termos de carreira, é chegado o momento de um novo desafio. Já até comprei o divã e o pelego (a bombacha eu já tenho e a cuia para chimarrão a
Cris vai me dar) e também estou treinando a nobre arte do
joelhaço, para usar em alguma eventualidade. Começo o curso dentro de dez dias e quem sabe daqui a um tempo eu não esteja participando de situações assim:
Contam que outra vez um casal pediu para consultar, juntos, o analista de Bagé. Ele, a princípio, não achou muito ortodoxo.
— Quem gosta de aglomeramento é mosca em bicheira… Mas acabou concordando.
— Se abanquem, se abanquem no más. Mas que parelha buenacha, tchê! . Qual é o causo?
— Bem — disse o home — é que nós tivemos um desentendimento…
— Mas tu também é um bagual. Tu não sabe que em mulher e cavalo novo não se mete a espora?
— Eu não meti a espora. Não é, meu bem?
— Não fala comigo!
— Mas essa aí tá mais nervosa que gato em dia de faxina.
— Ela tem um problema de carência afetiva…
— Eu não sou de muita frescura. Lá de onde eu venho, carência afetiva é falta de homem.
— Nós estamos justamente atravessando uma crise de relacionamento porque ela tem procurado experiências extraconjugais e…
— Epa. Opa. Quer dizer que a negra velha é que nem luva de maquinista? Tão folgada que qualquer um bota a mão?
— Nós somos pessoas modernas. Ela está tentando encontrar o verdadeiro eu, entende?
— Ela tá procurando o verdadeiro tu nos outros?
— O verdadeiro eu, não. O verdadeiro eu dela.
— Mas isto tá ficando mais enrolado que lingüiça de venda. Te deita no pelego.
— Eu?
— Ela. Tu espera na salinha.
Texto extraído do livro “O gigolô das palavras”, L&PM Editores – Porto Alegre, 1982, pág. 78.
2006 promete ser um ano cheio de mudanças e novidades. Dá um frio na barriga, mas não é exatamente medo. E falando no tema da semana no Mimeographo, minha crônica lá é “Visões”.
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Escrito por Doni