Dois motivos pelos quais o São Paulo será Campeão da Libertadores 2006

Terça-feira, 15 Agosto 2006

mascote1.gif 1) O São Paulo já enfrentou finais MUITO MAIS DIFÍCEIS que esta, e venceu! Exemplo? Em março de 1978, mais precisamente no dia 05, o Clube Atlético Mineiro recebeu o São Paulo para a grande final do Campeonato Brasileiro de 1977, com um time infinitamente melhor que o nosso e com toda a sua fanática torcida (público de 102 000 pessoas). O Atlético daqueles tempos caminhava a passos largos para tornar-se a máquina dos anos seguintes (teve Reinaldo artilheiro do campeonato), com 15 gols e 10 pontos a mais que o São Paulo na classificação geral. O Tricolor Paulista, que não teria Serginho Chulapa (o maior artilheiro da história do clube, suspenso por ter agredido um bandeirinha), tinha como seu principal destaque apenas a raça do volante Chicão. Tudo bem, o Atlético também não teve Reinaldo na final, mas ainda era um time bem melhor que o São Paulo e jogou muito mais. O resultado? 0×0 no tempo normal e 3×2 nos pênaltis: São Paulo campeão brasileiro de 1977.

2) O Internacional, dirigido pelo Abel Braga, tem sérios problemas em jogos decisivos da Libertadores em casa: Abel dirigia o bom time do Internacional em 1989, e chegaram juntos até as semifinais contra o limitado Olímpia, do Paraguai. No dia 10 de maio, vitória do Internacional na casa do adversário (como desta vez) e o time foi com a vantagem e o favoritismo todo para a decisão em Porto Alegre. Resultado? 3×2 para o Olímpia, que venceu nos pênaltis e foi para a final (que acabaria nem conseguindo ganhar).

Se você está lendo isso após o jogo e o São Paulo foi campeão: viu como entendo de futebol? Mas se o Internacional tiver sido campeão, entenda, eu não posso saber de tudo. Estou apenas confiando até o último minuto. Afinal, meu clube é chamado de clube da fé, e tem motivos para tanto.

UPDATE: Parabéns Marmota, parabéns Milton e Parabéns Colorado. Internacional legítimo Campeão da América de 2006. E estou orgulhoso do meu São Paulo FC!

UPDATE 2: A palavra de Deus sobre torcedores de outros times que tentam zombar do Tricolor: “Triste a postura de alguns, poucos é verdade, que tripudiaram da derrota são paulina. Eu acho que aquela pessoa que não pode ter uma Ferrari, não deveria ficar torcendo para que aquelas que têm a sua batessem ou tivessem ela roubada. Inveja é uma coisa muito mesquinha…”


Vergonha em vermelho, preto e branco II

Domingo, 6 Agosto 2006

O saldo é o seguinte:

- Nariz sangrando depois de horas sob o sol quente (e continua).
- Cãibras insuportáveis nas duas pernas, como as que tive pela última vez depois de um show do David Bowie (mas pelo menos daquela vez eu havia visto o espetáculo e tinha um motivo para sorrir).
- Pude constatar que mulheres grávidas e idosos realmente amam futebol. Vi alguns deles entrarem na fila umas vinte e cinco vezes seguidas (e saírem correndo com pacotes de ingressos nas mãos).
- Somadas as duas últimas finais de Libertadores, são 20 horas de fila tentando comprar ingressos de maneira legal, sem sucesso.

Ao menos tenho a lembrança do doce sabor da cerveja gelada logo ao amanhecer… E como o são paulino é antes de tudo um forte, ano que vem tem mais.

* Leia Vergonha em vermelho, preto e branco I, nada mudou desde aquele dia.


Me, Myself, São Paulo e Internacional

Sexta-Feira, 4 Agosto 2006
Sei que minha audiência é predominantemente feminina e sempre fico meio assim quando estou para escrever artigos sobre futebol. Muitas gostam, muitas mesmo, mas é visível que são textos menos lidos. Só que o assunto grita, pede pra sair, soca minha cabeça pela parte de dentro como se esperando pelo parto, e eu não resisto. Além do mais, fosse para ter minha pauta limitada eu teria feito jornalismo e estaria agora fazendo a cobertura policial para um jornal qualquer. O blog representa exatamente a liberdade que eu não teria em outras mídias.

Ontem quando publiquei um desabafo apaixonado e feliz sobre meu time de coração estava esperando dezenas de comentários raivosos de torcedores adversários, mas fiquei surpreso com o que encontrei ao chegar em casa. Tive um feedback não só positivo como em alguns casos criativo, e fico feliz por ter esta interação com meus leitores. Respondendo aqui parte destes comentários, as “dificuldades” elencadas em meu artigo são um contraponto que tentei usar para mostrar que por mais dura que seja a vida, a gente sempre tem bons motivos, ainda que “pequenos”, para sorrir. E viver uma grande paixão intensamente – mesmo que a paixão irracional por um clube de futebol - é um destes bons motivos. Adorei quando o Cedric disse que por pouco não pensou que eu estava em depressão. Não estou. Não tenho dinheiro nem emprego formal, mas tenho bons projetos em andamento, com excelentes possibilidades. Também logo devo começar a estagiar e a trabalhar com pesquisas dentro da minha área (Psicologia). A mulher da minha vida vive um amor “tão perto, tão longe” comigo, e apesar das dificuldades todas que passamos e de nossa impossibilidade de ficarmos juntos, eu confesso me sentir bem com o que sinto por ela, e ainda mais ao saber o que ela sente por mim. Sou sim da periferia paulistana e sou daquelas pessoas que sentem orgulho por isso. Tenho 30 anos e estou “ainda” na graduação, mas feliz como nunca por ter tido coragem de abandonar uma carreira e mudar de caminho, e tenho tudo para ser grande neste novo rumo. Não tenho iPod e não compraria um (gosto da idéia de ter um player de menor capacidade, questão de filosofia). Ainda não publiquei um livro mas ele virá, e já me sinto um escritor… E também plantarei muitas árvores. A namorada ruiva? Ainda espero por candidatas…

Voltando ao futebol, desde que me conheço por gente vivo em duas dimensões. Uma é a real, física, e a outra é a lúdica, a do sonho. Estas duas instâncias se fundem completamente em minha personalidade. Sou um “prático no mundo da lua” e ao mesmo tempo um “sonhador com os pés no chão”. Como o futebol participa disso? É como se em meu mundo existisse um Estádio Olimpo (ou Asgard, se você preferir), um palco onde diariamente se apresentam aqueles times históricos, místicos, formados pelos Deuses da Bola. E dois destes titãs são o São Paulo e o Internacional. Estas duas equipes, em diferentes momentos, foram responsáveis por toda a minha fascinação pelo esporte bretão, e agora irão duelar pelo título de melhor da América. É como se eles descessem do Estádio Olimpo para disputar um título entre os mortais, no Morumbi e no gigante da Beira-Rio. Se você olhar com atenção, e não tiver matado sua capacidade de sonhar, verá em campo Zizinho, Leônidas, Roberto Dias, Pedro Rocha, Falcão, Carpegiani, Figueiroa e Teixeirinha, todos lutando pela Libertadores. Serão duas semanas inesquecíveis, e nem conseguirei dormir nestes dias…


Tricolor, meu amor!

Quinta-feira, 3 Agosto 2006

Torcida do São Paulo

Eu não tenho dinheiro.
Eu não tenho emprego.
A mulher da minha vida me deixou.
Eu tenho 30 anos e ainda estou na graduação.
Eu moro na periferia.
Eu não tenho carro e pego ônibus todo dia de manhã com um frio danado.
E eu acordo 5:00 da manhã!
Eu não tenho um iPod e nem tenho outros brinquedos legais.
Eu ainda não namorei uma ruiva.
Eu ainda não publiquei um livro e nem plantei uma árvore.
Eu não aprendi a tocar guitarra direito e ainda não tenho meu trompete.
Eu não sou bonito e nem todas percebem meu charme.

Mas eu tenho o meu São Paulo!
O meu Tricolor Paulista de tantas glórias que eu acompanho desde um sábado ensolarado de 1982.
O meu Tricolor Paulista que tantas vezes conquistou a América e que vai tentar de novo.
Que pode até perder a final, mas que sempre,
Sempre me enche de orgulho e amor!

Obrigado, São Paulo FC. Eu te amo!

Leia também:
Depoimento
O Gol


Dunga na seleção

Segunda-feira, 24 Julho 2006

Acabo de saber que Dunga é o novo técnico da Seleção Brasileira. Como não poderia deixar de ser, chamaram um integrante da panelinha de 1994, mesmo que seja a estréia dele. Vou torcer contra!


Zidane

Segunda-feira, 10 Julho 2006

Eu odeio o Zidane. Sempre odiei. Ele não joga nem em meus times no “W11” do Playstation 2, talvez por uma mágoa recalcada pelo que aconteceu na Copa de 1998. Mas a verdade é que o futebol ficou infinitamente mais triste agora que ele abandonou a carreira. Zidane era o último craque em atividade. “Mas como?” alguém poderá dizer. “Mas e o Ronaldo? E o Ronaldinho Gaúcho?”. O Ronaldo da era pré-obesidade foi um atacante genial, assim como o Romário dos anos 90, o melhor atacante que já vi jogar. Merecem ser chamados de craques sim. Ronaldinho Gaúcho não.

Só que Zidane está em outro patamar. O dos CRAQUES indiscutíveis, em letra maiúscula, que merecem ser reverenciados para todo o sempre. Zidane é parte de uma linhagem iniciada com o mestre Zizinho, que passou por Pelé, Rivelino, Ademir da Guia, Cruyff, Maradona, Zico, Platini e… Bem… Termina agora.

Quem teve a oportunidade de acompanhar as partidas da França nesta Copa contra Espanha, Brasil e Itália pôde perceber um aspecto que torna Zidane parte deste panteão: ele parece jogar em outro ritmo, em outro tempo, em outra dimensão. Como os citados antecessores, Zidane era um maestro que orquestrava o desenrolar da partida segundo sua vontade. Enquanto 21 cabeças-de-bagre e jogadores medianos não mais que esforçados correm como loucos, homens como Zidane jogam xadrez em campo. O verdadeiro CRAQUE faz com que seus companheiros não sejam mais que cavalos, bispos e torres a serviço dele, e todos ficam felizes pois sabem que a vitória e a glória virão. Pergunte a qualquer um que jogou com Pelé, Cruyff ou Maradona se estou errado. Como podem ver, ser CRAQUE é muito mais que saber fazer malabarismos com a bola quando de frente para as câmeras…

Mas infelizmente, durante a final de ontem, faltou a Zidane a malandragem por vezes necessária até mesmo para o mito. Não o culpo, pois semi-deuses como ele também têm um lado humano que em algum momento irá falar mais alto (Pelé quebrou duas pernas que não eram dele durante a carreira, e deu uma cotovelada histórica em um zagueiro uruguaio em 1970). Mas não podia ser ontem, não daquela forma. Materazzi, o zagueiro italiano, é um inimigo do verdadeiro CRAQUE. Homens como ele não se conformam com a própria insignificância e tudo fazem, de forma maquiavélica, para conseguir a vitória que ao menos por um instante irá escrever seus nomes na história do futebol. Zidane deveria saber que Materazzi, mesmo campeão, será logo esquecido. Qualquer que fosse a ofensa, ela é parte da guerra em escala menor (por vezes maior) que é uma partida de futebol. Quem praticou qualquer esporte de forma minimamente séria sabe que a ofensa que tenta desestabilizar o adversário é truque comum de seres como Materazzi e Zidane, mesmo com seu conhecido temperamento forte em campo, deveria ser imune a isso em uma final de Copa do Mundo onde era o principal responsável pelo espetáculo.

Muitos passaram a noite e amanheceram o dia de hoje rindo da atitude de Zidane no fim de sua tragetória. Já eu, mesmo não gostando dele, sei que o que aconteceu ontem não irá apagar as glórias de uma carreira vitoriosa. Pelo contrário, sinto-me triste, mortificado e preocupado não pelo ocaso de Zidane, mas por ser este o ocaso da CAMISA 10 e de toda a sua tradição e mística. A “10” fica sem qualquer representante de seu panteão justo agora que eles são mais necessários. Em tempos nos quais o time Campeão Mundial de Futebol tem entre seus destaques um homem chamado “Grosso”, eu temo pelo futuro.

* Peguei a imagem no blog do Bruno.


World Cup Babes

Segunda-feira, 10 Julho 2006

O fim da Copa de Mundo de 2006 deixou um gosto amargo na boca do torcedor brasileiro e, em geral, dos amantes do futebol ofensivo. Mas o bom observador sempre encontrará motivos inesquecíveis para comemorar: 2006 World Cup Babes, série de posts com mocinhas torcedoras. - via The Bastardly.

Não deixe de conferir também o já tradicional Zeitgeist do Enloucrescendo.


A vida é boa…

Terça-feira, 4 Julho 2006

Ontem estive assistindo alguns comentaristas a respeito ainda da partida entre Brasil e França. Falavam sobre a fantástica atuação da França em contraste com a patética apresentação do Brasil, e por um momento me dei conta de que eu simplesmente não me lembro do jogo. Ficaram apenas alguns dribles do Zidane e, é óbvio, a ridícula posição do Roberto Carlos durante o gol. Então me veio à mente o seguinte: “lembre-se de que Corinthians e Palmeiras estão na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e finalmente este assunto será retomado”. Com um sorriso nos lábios lembrei-me do Ina dizendo “não devemos nos deixar abater, a vida é boa e cheia de possibilidades e balancei a cabeça como que concordando, enquanto fui pegar uma cerveja…

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Copa de citações

Segunda-feira, 3 Julho 2006

* em parceria com Ian

“Que futebolzinho medíocre. Seja com Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho, seja com Émerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho, Carlos Alberto Parreira provou que consegue fazer qualquer omelete desandar, seja quais forem os ovos. Joga feio ou bonito, seja campeão ou nono lugar”. - Inagaki, comentando o Idelber.

“¡Y no renunció! ¿Se puede creer? ¡Hasta Pekerman se dio cuenta de que tenía que tomarse un helicóptero! ¡Preso tiene que ir Parreira!” - Olé

“A seleção, durante a Copa, parecia o Flamengo - sem Obina, o fenômeno”. - Rodrigo

“Eu, como torcedor, exijo meu direito de chorar após uma derrota. Eu, como torcedor, exigo o meu direito de ver uma derrota trágica, de parar o país”. - O mesmo Rodrigo

“O time do Brasil é formado basicamente pelo grupo dos alunos que odeiam educação física. Sabe como é? Eu sei bem. Porque eu fazia parte desse grupo. Sei do que estou falando. Os alunos que odeiam as aulas de educação física são assim: fingem e simulam doenças para conseguir dispensa médica. Quando não conseguem, porque ninguém pode ficar doente o ano todo, entram em campo e fogem do jogo. Nunca estão livres para receber uma bola. Se escondem mesmo. Eu sou especialista nisso. Eu posso passar uma tarde inteira jogando no seu time e você nem perceber. Vai bater lateral? Eu estou lá no meio de campo. Ataque do time? Estou aqui na defesa. Um passe? Opa, eu estava de costas, que azar, hein? Precisando de marcação? Minha meia caiu, vou ajeitar. Na boa, não sei porque o Parreira nunca me convocou”. - Maria Bouzada

“Roberto Carlos encerrou sua carreira na Seleção ao seu estilo: fazendo lambança com a língua e com os pés. Ajeitava a meia em vez de estar na segunda trave no momento do gol de Henry (ou será que urinava no gramado?). E ainda criticou Pelé que havia manifestado seu mau pressentimento em relação ao jogo contra a França”. - Juca Kfouri

“Como não me alegro com vitórias feias, não me entristeço com derrotas honradas, apenas com as como a de ontem”. - O mesmo Juca Kfouri

“Nunca um idiota como ele merece ter no currículo dois campeonatos mundiais. E não vai ter”. - A Feminista de Frankfurt, falando sobre “vocês sabem quem, aquele que não deve ser nomeado”.

“O Brasil agora volta à rotina: temos a campanha eleitoral e as eleições: é hora de mostrar patriotismo de verdade! Vamos vestir verde-amarelo e eleger… eleger…. quem mesmo?” - Cláudio Costa “Ótima campanha lançada por Antenor e seguida de imediato pelo Bruno: caso Portugal ganhe a copa, deixe apenas o bigode (sem barba) por uma semana. Melhor homenagem possível ao único time lusófono que parece estar jogando por amor à pátria…” - Via Menezes

“Se eu disser que avisei, adianta alguma coisa?” - Rafael Galvão

“Enquanto isso, nas ruas ainda todas decoradas de verde e amarelo, bandeirolas penduradas de todos os postes e varandas, patria amada salve salve, uns meninos colocaram a bandeira brasileira na rua pros carros passarem por cima. Depois, chutaram. O patriotismo tupiniquim acaba rápido.” - Alex Castro

“O jogo daquele Brasil (o de 1982) era criativo, inesperado, lúdico. Era cheio de possibilidades também: volantes técnicos e laterais que realmente apoiavam, criando opções para o ataque. Pode-se dizer com certa razão que aquele time era vulnerável, mas isto não o impede de ser inesquecível, e inesquecível é um adjetivo que não pode ser aplicado às seleções do Parreira.” - Eu, no texto abaixo

“Para quem não entende de futebol, o técnico Carlos Alberto Parreira é como uma jaca colhida no interior da Bahia: alguns podem apreciar e reverenciar, mas não tem nada a ver com a caçada aos emus do outro lado do mundo. A seleção brasileira acaba de perder para o time da França e, com isso, foi eliminado da Copa do mundo de futebol. E essa é uma oportunidade para aprender algo”. - Allan Robert P. J.

“Como ignoramos solenemente o adversário, não é para ele que haveremos nunca de perder. O Brasil é a única seleção que entra em campo como se as quatro linhas fossem o palco de um virtuosismo-solo. Só perdemos, quando assim conspiram os deuses dos estádios, para nós mesmos.” - Mino Carta

“Mesmo sabedores de que a derrota faz parte do jogo, ela quase nunca se faz presente em nossa consciência. Mas, quando ela acontece, é como se todos os nossos planos, nossos sonhos e o futuro desaparecessem repentinamente. Uma falta de perspectiva se estabelece por instantes até que voltemos à realidade. Pelo menos por poucos minutos é como se deixássemos de existir temporariamente por culpa da imensa frustração.” - Sócrates

“Como eu sempre digo: eu acredito no poder das palavras. De tanto falar em “revanche”, uma palavra francesa, isso atraiu o poder para a França”. - Nababu

“A mídia não tem culpa, ela apenas espelha os processos. Quem perdeu foi Parreira, quem perdeu foram as vedetes intocáveis, quem perdeu foi a CBF e seus cartolas que fizeram tudo errado. A mídia dirá isso nas próximas horas. É uma lástima que não o tenha dito antes”. - Alberto Dines

“Perder, dizem, dizemos todos, “fáis párti”, e o que dói mesmo é perder assim, levando uns chutes na bunda; o que dói é perder como gostamos de ganhar” - Orlando Tosetto Jr.

“Tá anotado na caderneta: Brasil é freguês da França”.- Soninha

UPDATE:

“Se fico triste pelo Brasil não ter seguido em frente e feito mais gols não é por um amor desmesurado ao futebol ou por um quadrienal patriotismo de chuteiras. É porque, a cada nova bola na rede adversária, a Chicotão iria pular na minha frente, e aquela visão angélica se repetiria mais uma vez, uma bunda que representaria mais que a vida e ofuscaria aqueles vinte e dois homens suando atrás de uma bola, porque não há escolha a fazer quando você se vê entre a bunda da Chicotão e a cara de bunda do Ronaldinho. A bunda da Chicotão, eu sei, me faria esquecer de pular e comemorar os gols, porque eu me quedaria sentado, olhando embevecido o seu sobe e desce quase impublicável.” - Rafael Galvão

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Crônica da derrota anunciada

Segunda-feira, 3 Julho 2006
Tentei ser, durante toda a participação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, mais torcedor do que crítico. Existem momentos em que é irritante acompanhar um evento assim com olhos de quem percebe o organizacional, o tático e o psicológico e não com olhos de quem simplesmente torce e vibra: “será que você não está sendo exigente demais? Não consegue apenas ficar feliz com uma vitória? Onde está a magia de simplesmente torcer?”. Mas depois da partida de hoje contra a França, na qual eu não fui vingado, não tenho mais motivos para torcer e posso então falar sobre o que realmente tenho vontade. “Ah”, dirá o leitor, “lá vem ele apontar falhas e problemas depois das favas contadas, aposto que está até feliz com a derrota”.Feliz não, leitor. Mas de certa forma aliviado. É fato que eu poderia vestir minha carapuça de crítico e me juntar aos outros 184.999.999 de “treinadores” ainda durante o Mundial, mas não o fiz e quem assistiu a alguns dos jogos comigo viu o quanto não deu certo esta minha tentativa de apenas me divertir torcendo pelo Brasil na Copa. Estou aliviado sim por não precisar mais fazer vistas grossas ao trabalho incompetente do Parreira e de sua comissão técnica e preciso escrever algo a respeito, caso contrário é concreta a possibilidade de eu ter um enfarto causado por toda a tensão acumulada durante os jogos do Brasil. E eu realmente prefiro escrever a enfartar.

Outro motivo para meu “alívio”? A derrota desta Seleção Brasileira é a derrota do pragmatismo burro e imbecil, não só do Parreira e de boa parte dos jogadores, mas também de muitos torcedores. Lembro-me bem de algumas palavras do Parreira em entrevista recente, quando questionado sobre o fato de a Seleção não estar jogando “bonito”: “Jogar bonito é bom, nós também gostamos, mas mais importante é vencer, é ser campeão. Apenas os campeões ficam para a história, e os derrotados não são lembrados”. Também li em diversos blogs opiniões do tipo “o torcedor brasileiro parece nunca estar contente: mesmo vencendo parece acreditar em um ‘futebol’ ideal, perfeito, e sempre será crítico demais”. A própria imprensa esportiva esteve dividida entre o pessoal do “eu gosto é de vencer, não importa como” e a turma que criticava o desempenho do time, mesmo sendo taxada de “romântica” ou “anti-brasileira”.

Ora, o “vencer é o que importa” não serve para o esporte e muito menos para a vida, já que o primeiro, em última análise, é uma representação da segunda. Eu sou extremamente competitivo, não gosto de perder nem par ou ímpar ou disputas de cuspe à distância e Deus sabe o quanto as derrotas no campo esportivo ou pessoal me tiram o sono, mas o tempo já passado neste mundo me fez perceber que “derrotas” e “vitórias”, além de conceitos bastante relativos, dependem de contingências muitas vezes imponderáveis.. Sendo assim, acredito piamente que o “como” se luta por uma vitória é tão ou mais importante do que o resultado obtido, e o caso da nossa Seleção é perfeito para ilustrar esta minha opinião.

Como bem notou o Idelber em um artigo recente, Parreira insiste em tentar depreciar o valor da Seleção que jogou a Copa do Mundo de 1982. O pragmatismo tacanho turva a visão do nosso treinador de tal forma que ele simplesmente não entende como um time que saiu derrotado de uma competição pode ser tido e havido como maravilhoso, enquanto o time vencedor em 1994, dirigido por ele, não tem o mesmo status. Acontece assim porque, apesar de apresentar também diversas deficiências, aquele time jogava para vencer. Sempre. Havia padrão tático (mesmo que às vezes a tática fosse não ter padrão) e o jogo daquele Brasil era criativo, inesperado, lúdico. Era cheio de possibilidades também: volantes técnicos e laterais que realmente apoiavam, criando opções para o ataque. Pode-se dizer com certa razão que aquele time era vulnerável, mas isto não o impede de ser inesquecível, e inesquecível é um adjetivo que não pode ser aplicado às seleções do Parreira. José Trajano disse recentemente - e eu poderia ter dito o mesmo - que de 1994 ele nem se lembra, enquanto não consegue se esquecer de 1982. Quando lembro da conquista nos EUA penso logo na teimosia irritante do técnico, na arrogância, nas discussões sem fundamento com a imprensa e naquele estilo sonolento de jogo. Alguma semelhança com a seleção de 2006? Do que vamos nos lembrar daqui a vinte anos?

Outro erro é o maniqueísmo - que parece acompanhar os pragmáticos - de quem pensa que as únicas opções possíveis são “jogar bonito” ou “jogar para ganhar”. A questão não é jogar bonito ou dar espetáculo, mas jogar eficientemente, ter características de uma equipe em campo, que marca e ataca de forma organizada, que apresenta variações e opções de jogo. Não podemos exigir de nenhum atleta que ele seja espetacular, mas podemos e devemos exigir dedicação e organização de uma equipe. Jogamos contra Croácia, Austrália, Japão e Gana. Marco Bianchi disse outro dia na Rádio Bandeirantes, com razão, que esta Copa está provando que não existem mais bobos no futebol mundial. Nem “mais” nem “menos”, pois os bobos continuam os mesmos. Ora, apontar erros em uma equipe, mesmo depois de uma vitória, não passa de uma obrigação se os erros existem e se essa vitória foi contra uma “potência” como a Austrália ou como Gana. Não é coisa de quem exige “jogar bonito” e quer “espetáculo”, mas de quem se preocupa com o futuro do time na competição. Ao pegarmos um time minimamente gabaritado todas as preocupações dos “chatos românticos viúvas do telê” mostraram ter fundamento.

Eu poderia escrever muito mais, talvez a noite toda. Me irrita o fato de não convocarem os jogadores pensando em quem está melhor no momento mas sim em qual nome tem mais “peso” (sem trocadilhos com Ronaldo). É absurdo que Cafu tenha jogado quatro mundiais, mantendo-se este ano como titular ao que parece mais em nome de um recorde pessoal do que do time, mas não vou falar nisso. Também não vou falar do quanto a mídia anda fabricando craques, nos bombardeando com comerciais ridículos onde a imagem do “melhor do mundo” é exposta à exaustão. Me recuso também a comentar o fato de Roberto Carlos estar amarrando as chuteiras ou arrumando o meião dentro da área durante o gol da França (exatamente no momento em que ele poderia estar marcando Henry).

Prefiro ficar na torcida por Portugal - o time de Felipão tem o “sangue nos olhos” que eu gostaria de ver no Brasil, joga como se fosse a Libertadores, apesar de achar que o campeão sai do confronto Alemanha x Itália. Deixo também o link para o vídeo Bendito Sea, que teve post no Brainstorm #9. É uma homenagem minha à Argentina, que pelo menos caiu lutando e demonstrou um mínimo de dor real pela derrota.

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