
Audrey Hepburn, a mulher que me faz sonhar tanto com uma máquina do tempo, representada por Natalie Portman, a mulher que me faz adorar tão vivamente o presente… - Via Purviance, Chaplin, Cinema e Solidão

Audrey Hepburn, a mulher que me faz sonhar tanto com uma máquina do tempo, representada por Natalie Portman, a mulher que me faz adorar tão vivamente o presente… - Via Purviance, Chaplin, Cinema e Solidão
Deus (expressão de tédio, mão sob o queixo): - Posso saber o que vocês querem?
Shakespeare (olhando para o chão): - Não fique bravo, my dear god. É que ontem estávamos conversando, eu, o Tennessee e o Nelson, e tivemos a idéia de preparar uma montagem. You know, um pouco de cultura e entretenimento para os Querubins, Anjos e Serafins.
Tennessee Williams: - Marilyn poderia ser nossa grande estrela…
Nelson Rodrigues: - Já estou cheio de idéias, meu Senhor! Poderíamos contar a história de uma suburbana casada que nutre uma paixão destrutiva pelo irmão de criação e…
Deus: - Tudo bem! Tudo bem! Até que pode ser uma boa idéia deixar a humanidade de lado para acompanhar bom teatro, anda tudo tão igual por lá… E vocês precisam de algo mais?
Shakespeare: - Precisamos de mais nomes para o cast, my father.
Deus (coçando a barba): - Entendo… Que tal então se eu trouxer Raul Cortez e Gianfrancesco Guarnieri?
Mas retomar o personagem quase trinta anos depois tinha tudo para dar errado. Christopher Reeve, o sinônimo de Superman para várias gerações, já não está entre nós, e a DC não é normalmente conhecida por boas adaptações de seus personagens para o cinema (Superman-The Movie e seu sucessor, Supeman II, eram as únicas realmente consideradas como tal). Além disso, será que o mundo hoje tem inocência suficiente para assimilar o escoteiro azul?
Resolvi enfrentar o PCC para descobrir, e não me arrependo. Minha dúvida sobre a atualidade do personagem de certa forma está lá, em um artigo metalingüístico escrito por Lois Lane, como parte de um roteiro repleto de acertos que deixaria Mario Puzo orgulhoso. Brandon Routh não é fantástico, mas não compromete como Superman; Kate Bosworth é uma Lois Lane infinitamente melhor que Margot Kidder e Kevin Spacey está soberbo, o ponto alto do filme. A história tem ritmo, humor, romance e aventura em doses exatas, além de efeitos especiais realmente bons. Mais do que simplesmente homenagear o primeiro filme em suas referências e inspirações de roteiro e até mesmo de figurino, Superman Returns se mostra uma seqüência absolutamente digna de seus antecessores.
Meu sábado começou cinzento. Meu interesse por “mentes criminosas”, despertado por um trabalho recente sobre psicologia forense e alimentado pela posterior leitura de “A Sangue Frio”, ocupa boa parte do meu tempo nas férias. Não é assunto fácil. Às vezes, ao interromper as pesquisas e parar para ouvir as notícias sobre a crise em São Paulo e pensar sobre meus problemas, sinto-me adulto demais. Mas hoje, durante pouco mais de duas horas, pude apenas me sentir um garoto de seis anos que via Superman nos cinemas em 1978 ou que segurava a revista Action Comics pela primeira vez nos anos 40. O cinema é tão mágico que pode sim fazer você acreditar que homens que usam cuecas vermelhas sobre as calças podem voar, e ainda te deixar feliz por isso.
Já que o assunto é o Super, que tal algumas ótimas animações dos anos 40, selecionadas pela Bibi?
(V for Vendetta, EUA/Alemanha, 2005)
Mas Moore não se contentou em trabalhar apenas com os simplórios personagens do mainstream estadunidense. Em seus trabalhos para a legendária revista inglesa 2000 AD, em sua obra prima Watchmen e em tantas outras histórias ele criou personagens complexos e brilhantes, dotados de divina humanidade. Uma destas histórias começou a ser publicada em 1982 na revista Warrior: V de Vingança (V for Vendetta), em parceria com David Lloyd.
Escrita por um ainda jovem Alan Moore e totalmente conectada com seu momento histórico, V de Vingança não está entre seus trabalhos mais geniais, mas a notícia de que seria produzida sua versão cinematográfica pelos irmãos Wachowski (Matrix) deixou os fãs eufóricos, mesmo que outras adaptações da obra de Moore (“A Liga Extraordinária”, “Do Inferno”) tenham sido retumbantes fracassos.
Acabo de assistir a tão esperada adaptação e posso dizer que V de Vingança não é um grande filme. Pode até ser bom entretenimento descompromissado, mas está longe de ser o filme que poderia ser. O primeiro problema está na história em si. As aventuras de um terrorista/ anarquista (“V”) que enfrenta o governo fascista em uma Inglaterra do futuro já não têm o mesmo efeito que tinham em 1983. No início dos anos 80 ainda havia a Guerra Fria e a Inglaterra vivia o choque econômico e social causado pela política da “Dama de Ferro”, a conservadora Margareth Thatcher. Apenas alguns anos antes os Sex Pistols haviam feito uma “homenagem” bastante interessante para a Rainha em seu jubileu (God Save The Queen), ao mesmo tempo em que faziam uma ode ao Anarquismo. V de Vingança só poderia ter surgido deste caldo, neste momento. Hoje o idealismo de “V” é no mínimo anacrônico. Óbvio que já não sou o garoto de 15 anos que ficou fascinado com a primeira leitura de V de Vingança (Editora Globo, 1989), mas o mundo também mudou.
No “pós-WTC” o terrorismo é “banal” e não combina com qualquer tipo de idealismo. O mundo já não é tão “preto no branco” quanto costumava ser, e os fascistas estão mais do que nunca disfarçados de defensores da liberdade. Já não somos inocentes, sabemos disso, e não dá para olhar o universo retratado em V de Vingança sem ver uma grande caricatura, uma metáfora óbvia que não se sustenta.
Poderia ser diferente se toda a complexidade dos personagens de Moore fosse levada às telas, mas como era de se esperar isso não aconteceu. Frank Miller tem um ritmo que casa muito bem com a estética adotada hoje por Hollywood, mas com Alan Moore parece acontecer o contrário. Além disso, os irmãos Wachowski optaram pelo “auto plágio” seguro que é perpetuar aquilo que foi feito em Matrix, e a história de V tornou-se superficial, para dizer o mínimo. Sua motivação foi apenas parcialmente explicada, e de maneira errada, já que seu aspecto mais pessoal foi supervalorizado.
Citando Frank Miller novamente, assisti estupefato a obra prima que é a violência estilizada “aparentemente” gratuita do Noir futurista Sin City, mas tive que lutar bravamente contra o sono assistindo V de Vingança. Miller teve sua obra respeitada e bem adaptada, mas Moore não teve a mesma sorte - tanto foi assim que pediu para retirar qualquer menção de seu nome dos créditos do filme.
Apesar de tudo, vale ver V de Vingança ao menos pela atuação mais uma vez fantástica da mulher da minha vida desta semana Natalie Portman. Além do mais, se a Revista Veja diz que o filme é uma bobagem, algum mérito com certeza ele deve ter.
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007 - O Espião que me amava
Originally uploaded by marcosdonizetti.
“Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um Deus o curso da história”.
(Gilberto Gil)
Imagem que parece ser de Christian Bale com o uniforme de Batman, do filme Batman Begins. A autenticidade da foto não foi confirmada pela Warner. Com direção de Christopher Nolan (Amnésia), o filme tem estréia prevista para 17 de junho de 2005.