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Sexta-Feira, 23 Dezembro 2005
E este blogue fecha as portas. Ao menos em 2005. Acabo de decretar, para todos os efeitos, que este dia 23 de dezembro é o último dia do ano. Um ano que não sei classificar como bom ou ruim… Ele apenas foi.

Acabei acreditando em todos aqueles evangélicos neo-pentecostais que me acordavam aos domingos gritando que o mundo acabaria em 2000, e não me preparei para esta coisa de século XXI. Tampouco me preparei para ser adulto. Penso em boa parte das coisas que me fizeram felizes neste ano, e me lembro de bandas novas, discos, livros, filmes. Em 1989 também era assim, e não devo ser tão diferente daquele adolescente afinal.

Mas, foi o ano em que talvez minha vida tenha mais se enchido do que acredito ser o que mais a faz valer a pena: pessoas. Compartilhei dores, alegrias, piadas ruins, sorrisos, broncas, disputas, sonhos, lugares e amores como nunca. E algumas das tantas pessoas que conheci ou reencontrei neste ano – não vou citar todas por pura falta de espaço e também para não cometer injustiças esquecendo alguém - ficarão comigo pelo resto da vida, seja com a presença física ou pelas lembranças fortes e marcas que deixaram.

Foi um ano de derrotas também. Muitas. E perdas, algumas das quais vou lamentar por muito tempo ainda. Mas poucas vezes vi o terreno tão preparado para futuras e próximas vitórias e conquistas. Não me lembro de outro momento nos últimos tempos onde as possibilidades e expectativas fossem tão boas como agora. Perto dos 30 anos, se ainda tenho muito do adolescente que sempre fui aqui comigo, e sempre um tanto assustado, também estou cada vez mais próximo de ser um homem (pois é, o processo é longo) totalmente responsável pela própria felicidade e por todos os efeitos das próprias decisões.

Voltarei a escrever aqui em 2006. Na verdade não eu, mas a versão 3.0 de mim. Após este período de renovação e “renascimento” que sempre intercalo entre o Natal e o meu aniversário, volto cheio de idéias e novidades para este espaço. Não estarei sozinho: meu amigo de infância, o Alcebíades, será um colaborador muito presente no Me, Myself And I com suas histórias. Aguardem.

Se você está chegando agora, ou mesmo se já é leitor, aproveite este tempo para ler os arquivos e minhas crônicas no Mimeographo. Muito de mim está neste blogue já, coisas legais, coisas ótimas, coisas sacais, isso você decide. Cadastre este blogue em seu leitor preferido de rss e volte sempre. Também não deixe de conhecer os blogues que estão relacionados na barra lateral. A trilha sonora desta “despedida” é o ótimo disco novo dos Cardigans, Super Extra Gravity. Até 2006.


Ho, Ho, Ho!

Terça-feira, 20 Dezembro 2005
Mais um conto de Natal no Mimeographo! Falando em nosso blog coletivo, semana passada fizemos um “amigo oculto” entre os participantes e uma moça que ainda não tive o prazer de conhecer, Aline Tomaz, presenteou meu amigo Paulo Galvez com o texto abaixo, Que seja infinito enquanto livre:

Dedico este texto ao homem raro que sonha e que vive por ele. Que reserva cada um de seus dias à experiência que vai fazê-lo mais feliz. Ao ser humano simples, que ainda se preocupa com o próximo e acredita que as coisas podem mudar, só depende de cada um. Estes versos são para o amante eloqüente, que, quando se entrega, me traz a felicidade plena.

O sonho é o combustível da alma. É privilégio de poucos. É o objetivo mais lógico a se seguir. O segredo é torná-lo palpável. A vida pode ser linda, cheia de momentos felizes, repleta de amores marcantes e realizações diversas. Basta acreditar no que se quer, sem perder de vista os sonhos.

O amor é necessário, mesmo que tenha data e hora certas para acabar. Se incondicional e desprendido, é o melhor amigo dos sonhos. Mas é preciso sentir, para vivê-lo em sua plenitude.

Às vezes fico te olhando por um longo tempo enquanto você dorme. Fito cada parte do seu corpo, pensando como sou feliz ao seu lado. Te olho também quando você está acordado, mas prefiro olhar no fundo dos teus olhos negros, e fascinantes. Não somente por serem tão belos, mas porque eles passam a firmeza e hombridade, quase escassas nos homens. Vejo sua boca e fico hipnotizada, não apenas pelos beijos quentes, mas pelas interpretações mais incríveis sobre a vida, que dela brotam.

Acredito que uma pessoa sem sonhos é vazia. E tenho certeza que você vai chegar onde deseja. Acima de tudo, pela sua capacidade de lutar pelos seus anseios sem prejudicar o menor dos bichos, quanto mais pessoas, conhecidas ou não. Pela inteligência, simplicidade, honestidade, senso de justiça, amizade, companheirismo e porque te amo.

Acredite! Sem condições, cobranças, planos, ou prisões. Apenas com respeito, confiança mutua e dedicação.

Sei que nossos destinos podem não se cruzar. Talvez nos reste pouco tempo. Mas enquanto durar vai valer a pena pelos sorrisos, olhares, abraços apertados, beijos repentinos, toques macios e carinhosos. Pelos momentos difíceis e até desentendimentos. Pelo companheirismo, proteção e puxões de orelha.

Admiração é coisa que se constrói. E nestes dois anos de convivência só tenho a agradecer por ter vivido este grande amor, enquanto ele existir. Seja até fim do ano que vem ou até o fim de um ano qualquer, sem imposições ou condições.

Nunca se esqueça de uma coisa: o céu e o chão vão me fugir quando você se for. Mas se for pelo seu sonho, eu levitarei pela satisfação de te ver seguindo para a realidade que VOCÊ vai ter criado. Minha alma deseja que você seja feliz. E meu amor é o melhor amigo dos seus sonhos.

Parabéns ao Paulo pela declaração de amor recebida. Você merece. Quanto a você Aline, sem saber você me deu um presente também. Vivo um momento bastante conturbado em relação ao amor – meus leitores já devem estar de saco cheio de textos falando disso, e sua declaração ao Paulo me fez lembrar de uma série de coisas importantes relacionadas à minha forma de ver e lidar com o amor. Você me fez lembrar do quanto amor rima com liberdade (de uma forma muito diferente da qual as pessoas estão acostumadas a ver) e o quanto precisamos estar atentos para não esquecer isso. Lembrei de promessas que fiz e que me sentirei orgulhoso por cumprir. Que bom que sabe o quanto “deixar ir” alguém que amamos, pela felicidade dela, é um ato de amor. Obrigado mais uma vez por me lembrar disso neste momento (eu precisava). Que o amor de vocês continue infinito e intenso e que os leitores me desculpem pelo sentimentalismo dos últimos dias (não que eu me importe se não desculparem).


Salto Alto

Domingo, 18 Dezembro 2005

Concordo totalmente:

Acho que as mulheres, não importa o tamanho, quer tenham dois metros ou um metro e meio, deveriam nascer de saltos altos. Tudo nelas é especialmente belo quando sobre saltos. Até mesmo aquelas partes que, diferentemente da panturrilha, coxa ou bunda, não têm nenhum contato mecânico com a coisa. A mulher de saltos fica com os cabelos mais bonitos, o sorriso confiante, o olhar brilhante e uma altivez que as deixam ainda mais irresistíveis. Tá aí, se eu fosse Deus, faria um recall e implementaria o tal do artefato em todas.

Via Tiro na Nuca.


Meu presente de Natal

Domingo, 18 Dezembro 2005


Nó na garganta

Sexta-Feira, 16 Dezembro 2005
A dor do amor perdido. Tenho toda uma trilha sonora específica para quando chega o momento de tratar esta ferida que às vezes não sara nunca e às vezes sara amanhã. Mas desta vez farei diferente: vou ouvir o “Samba Rock” do Trio Mocotó. E vou cantar alto até a garganta doer. E vou dançar pelado também. E chorar de vez em quando, porque ajuda.

Nó na garganta
Me deu um nó na garganta e deu
Um arrepio no corpo e deu
E deu e deu o medo de ficar só
Me deu um nó na garganta e deu
Um arrepio no corpo e deu
E deu e deu o medo de ficar só

Me deu um nó na garganta
Um arrepio no corpo
E o medo de ficar só e deu
Me deu um nó na garganta
Um arrepio no corpo
E o medo de ficar só

E quem olhasse no fundo no fundo dos olhos
Dessa menina sentia que o mundo ia fugindo
E nascia no peito uma enorme paixão
Rodeada de medo por todos os lados
E o medo de ficar só e deu

Me deu um nó na garganta
Um arrepio no corpo
E o medo de ficar só e deu
Me deu um nó na garganta
Um arrepio no corpo
E o medo de ficar só

E sem motivo aparente que o corpo se sente
A sensação diferente de quem nunca esteve apaixonado
E um minuto de dúvida é suficiente
Para botar na garganta o nó e o medo
E o medo de ficar só e deu


Quadro de avisos

Terça-feira, 13 Dezembro 2005

Tem texto novo no Mimeographo: “Leônidas e o blog dela”.

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Vai ter show da banda LIVING ROCK, no Riviera Bar em Moema (R. Jauaperi, 1351). Trata-se de “classic rock” da melhor qualidade, e eu estarei lá no dia 17/12. Quem quiser curtir o show e/ou me dar um abraço (só se for mulher): 10,00 - mulheres e 12,00 - homens.


Decadência ilustrada

Segunda-feira, 12 Dezembro 2005

Veja um rapaz inocente. Um tanto solitário, é verdade, mas feliz perto de seus livros e sempre jogando algum delicioso joguinho 3D:

Tudo está muito bem até que, para variar, uma mulher malvada passa a manipular o pobre coitado. O efeito fica bastante claro na expressão dele:

E o fim não poderia ser outro:

Foi uma delícia o lançamento da Revista Mininas. Sempre bom estar com a Cris, com a Patrícia, com a Olivia e com a Gabriela. Mais fotos no meu flickr e aqui também.


Tia Maria

Domingo, 11 Dezembro 2005
Ainda não chorei. Tenho uma relação estranha com as lágrimas: posso chorar facilmente ouvindo uma música que me emocione ou lendo um livro, mas às vezes, mesmo que o mundo todo esteja desabando ao meu redor, eu não consigo. É como se eu tentasse me manter em pé e firme para o caso de precisarem de mim, e ser assim já foi bastante útil, mas doloroso.

Havia planejado escrever hoje sobre alguns ótimos momentos que passei nos últimos dias com pessoas legais e interessantes. Sinceramente, durante algumas das conversas e longas caminhadas que tive desde sexta, me senti como que abandonando um longo, frio e triste inverno. Foi bom.

Mas hoje fui acordado com a notícia de que minha “tia” Maria havia partido desta vida e, mesmo que ainda anestesiado, preciso escrever.

Era a irmã mais velha de minha avó. Talvez por vivermos em estados diferentes, só tive oportunidade de conhecê-la depois de grande, e foi como que um resgate dos dias mais felizes da minha infância. De início a amei por ser tão parecida com a avó que já não estava conosco há anos e que era tão completamente ligada a mim. Depois a amei por tantos outros motivos que seria até difícil enumerar todos.

Havia feito 79 anos nos últimos cinco aniversários, pelo menos, pois não admitia dizer que já havia passado a barreira dos 80 anos e que não era mais tão jovem. Vaidosa, estava sempre com belos vestidos, de corte impecável, mesmo que simples, e sempre perfumada. A expressão tinha a paz e a doçura que só conseguem ter as pessoas que envelheceram bem, ainda que vivendo uma vida repleta de lutas. Não escondia a força que tinha nem as opiniões que lhe iam pela cabeça, e assim que travei com ela a primeira conversa percebi que talvez a presença de espírito que sempre admirei tanto em minha mãe fosse algo genético.

Tornei-me, depois de adulto, o “filhinho” e o “neto”. Era a única pessoa para quem nunca consegui dizer “não” na vida e, por ela, até comi (com um largo sorriso nos lábios) o doce de mamão cristalizado que sempre detestei. A história até virou um dos tantos “causos” da família. Se me via próximo de alguma amiga bonita, perguntava se era minha namorada. Ao dizer “não, tia Maria, é minha amiga” eu ouvia “mas vocês dois ficam tão bem juntos!”.

Já me disseram que eu ia muito para Quatis (RJ) nos últimos tempos, mas acho que nunca contei a ninguém que era por ela, acima de tudo, que eu viajava. Ela nunca soube disso, mas na sabedoria das palavras e na doçura do sorriso dela eu reencontrava o que de melhor existia em mim. A ironia, a raiva, o medo, as dúvidas e o desencanto tão presentes em meu espírito sempre iam embora quando eu sabia que ia abraçá-la. Tantas foram as vezes em que precisei fugir por um tempo de mim mesmo e das minhas confusões, e como eu quis desesperadamente o colo dela nesses momentos.

Sabíamos do câncer em estado avançado e estávamos nos preparando para o pior. Fui vê-la assim que soube da doença, imaginando que poderia ser a última vez. Acabei voltando cheio de esperanças, pois a encontrei forte, bem humorada e muito sorridente.

Não vou viajar para estar no funeral. Sei o quanto é importante a tal “última homenagem”, mas a lembrança que quero guardar agora da minha “avozinha” é a daquele olhar tão brilhante e jovem, acompanhado do sorriso maroto e feliz que vi quando do nosso último abraço. Eu tentava a todo custo esconder o que se passava pela minha cabeça, e ela sorria parecendo dizer “não se preocupe, meu filho”.

Que os anjos estejam com a senhora, minha tia!

E agora sim consegui chorar.


Importante!

Quarta-feira, 7 Dezembro 2005
O Centro Infantil Boldrini, o maior centro de tratamento de câncer e doenças do sangue em crianças e adolescentes da América Latina, está vendendo belos calendários de mesa este ano, para angariar fundos. Vale a pena ajudar a instituição e ainda levar para casa um calendário com belas ilustrações! Para adquirir um (ou mais, de preferência) ligue (19) 3787-5115 ou escreva para comunica@boldrini.org.br. Avise o maior número de pessoas que puder! Mais informações com o Biajoni.

As bandas da semana

Terça-feira, 6 Dezembro 2005
A melhor maneira de saber como estou me sentindo em determinado momento é ver o que tenho ouvido. As 10 bandas abaixo foram as mais tocadas aqui na última semana, segundo a Last.fm:

1. The Smiths
2. The Flaming Lips
3. The Cardigans
4 . Weezer
5. The Stooges
6. Buddy Holly & The Crickets
7. Gang of Four
8. Madeleine Peyroux
9. Nine Inch Nails (o site oficial recomenda usar Safari ou Firefox. Legal!)
10. All Natural Lemon & Lime Flavors (grande dica do Biajoni!)

O “Claro q é Rock” influenciou só um pouco o mix de bandas da semana…