Filho de Ogum

Sexta-Feira, 30 Setembro 2005

Preparando terreno para o tema da próxima semana no Mimeographo, Religião, e falando um pouco sobre mim (um filho de Ogum):

Ogum (…) é aquele que gosta de iniciar as conquistas mas não sente prazer em descansar sobre os resultados delas, ao mesmo tempo é figura imparcial, com a capacidade de calmamente exercer (executar) a justiça ditada por Xangô. É muito mais paixão do que razão: aos amigos, tudo, inclusive o doloroso perdão: aos inimigos, a cólera mais implacável, a sanha destruidora mais forte.

(…) Ogum gosta do preto no branco, dos assuntos definidos em rápidas palavras, de falar diretamente a verdade sem ter de preocupar-se em adaptar seu discurso para cada pessoa.

(…) Ele não é o tipo austero, embora sério e dramático, nunca contidamente grave. Quando irado, é implacável, apaixonadamente destruidor e vingativo; quando apaixonado, sua sensualidade não se contenta em esperar nem aceita a rejeição. Ogum sempre ataca pela frente, de peito aberto, como o clássico guerreiro.

(…) Não é difícil reconhecer um filho de Ogum. Tem um comportamento extremamente coerente, arrebatado e passional, aonde as explosões, a obstinação e a teimosia logo avultam, assim como o prazer com os amigos e com o sexo oposto. (…) São conquistadores, incapazes de fixar-se num mesmo lugar, gostando de temas e assuntos novos, conseqüentemente apaixonados por viagens, mudanças de endereço e de cidade. Um trabalho que exija rotina, tornará um filho de Ogum um desajustado e amargo. São apreciadores das novidades tecnológicas, são pessoas curiosas e resistentes, com grande capacidade de concentração no objetivo em pauta; a coragem é muito grande, a franqueza absoluta, chegando mesmo à falta de tato.

Fonte: Umbanda Racional
Imagem: Datas NEPAE - NESEN


Outra do analista de Bagé

Quinta-feira, 29 Setembro 2005
Estive conversando com uma amiga, e falávamos sobre Luís Fernando Veríssimo. Acabei lembrando do meu personagem favorito dele, o analista de Bagé. Conheci o bagual freudiano barbaridade quando tive meus primeiros - e deliciosos - contatos com a revista Playboy, lá nos anos 80. Tenho ainda boas lembranças das fotos da Zaira Zambelli (julho de 1981), naquele tempo romântico onde ainda não usavam o Photoshop e as mulheres pareciam de verdade… ai ai… Bem, a Zaira não é mais a mesma das fotos e eu não sou mais tão fã da Playboy, mas ainda adoro as histórias do analista. Prometi para minha amiga que mandaria a ela um e-mail com algumas crônicas dele, mas decidi não perder a chance de ser original: vou publicar um texto em blog que REALMENTE é do Veríssimo:

Existem muitas histórias sobre o analista de Bagé, mas não sei se todas são verdadeiras. Seus métodos são certamente pouco ortodoxos, embora ele mesmo se descreva como “freudiano barbaridade”. E parece que dão certo, pois sua clientela aumenta. Foi ele que desenvolveu a terapia do joelhaço.
Diz que quando recebe um paciente novo no seu consultório a primeira coisa que o analista de Bagé faz é lhe dar um joelhaço. Em paciente homem, claro, pois em mulher, segundo ele, “só se bate pra descarregá energia”. Depois do joelhaço o paciente é levado, dobrado ao meio, para o divã coberto com um pelego.
- Te abanca, índio velho, que tá incluído no preço.
- Ai - diz o paciente.
- Toma um mate?
- Na-não… - geme o paciente.
- Respira fundo, tchê. Enche o bucho que passa.
O paciente respira fundo. O analista de Bagé pergunta:
- Agora, qual é o causo?
- É depressão, doutor.
O analista de Bagé tira uma palha de trás da orelha e começa a enrolar um cigarro.
- Tô te ouvindo - diz.
- É uma coisa existencial, entende?
- Continua, no más.
- Começo a pensar, assim, na finitude humana em contraste com o infinito cósmico…
- Mas tu é mais complicado que receita de creme Assis Brasil.
- E então tenho consciência do vazio da existência, da desesperança inerente à condição humana. E isso me angustia.
- Pos vamos dar um jeito nisso agorita - diz o analista de Bagé, com uma baforada.
- O senhor vai curar a minha angústia?
- Não, vou mudar o mundo. Cortar o mal pela mandioca.
- Mudar o mundo?
- Dou uns telefonemas aí e mudo a condição humana.
- Mas… Isso é impossível!
- Ainda bem que tu reconhece, animal!
- Entendi. O senhor quer dizer que é bobagem se angustiar com o inevitável.
- Bobagem é espirrá na farofa. Isso é burrice e da gorda.
- Mas acontece que eu me angustio. Me dá um aperto na garganta…
- Escuta aqui, tchê. Tu te alimenta bem?
- Me alimento.
- Tem casa com galpão?
- Bem… Apartamento.
- Não é veado?
- Não.
- Tá com os carnê em dia?
- Estou.
- Então, ó bagual. Te preocupa com a defesa do Guarani e larga o infinito.
- O Freud não me diria isso.
- O que Freud diria tu não ia entender mesmo. Ou tu sabe alemão?
- Não.
- Então te fecha. E olha os pés no meu pelego.
- Só sei que estou deprimido e isso é terrível. É pior do que tudo.
Aí o analista de Bagé chega a sua cadeira para perto do divã e pergunta:
- É pior que joelhaço? - O Analista de Bagé, 73ª edição, Editora L&PM, 1983

Logo começo uma série de posts “picantes” aqui no blog, e o Veríssimo vai aparecer novamente.

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Que interessante e indispensável esse tal de Mercora, dica da Danicast.


A mulher da minha vida desta semana

Terça-feira, 27 Setembro 2005

Mala Rodriguez

Fiquei sabendo ontem, ao ler uma entrevista com o João Gordo, que a rapper espanhola Mala Rodriguez acaba de se apresentar em São Paulo e fiquei realmente magoado por não ter ficado sabendo disso antes. Acompanho o trabalho da moça desde o ótimo Lujo Ibérico (2000), e gosto muito!

Nascida em Sevilha, ela faz um RAP engajado, de crítica social, que afronta o politicamente correto. Tudo bem que vendo assim é tudo “mais do mesmo”, mas a mistura de hip-hop com flamenco é das mais interessantes. Além do mais, olhando para a foto aí de cima (capa do disco Alevosia, de 2003) dá para perceber que ela é bem melhor que o Eminem, não é? Veja um pouco da apresentação dela em São Paulo, e ouça a música La Niña (primeiro sucesso).
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Meu texto da semana no Mimeographo é São, São Paulo, meu amor!


Last.fm

Sábado, 24 Setembro 2005

O que ando ouvindo:

01. R.E.M.
02. Pavement
03. Buddy Holly & The Crickets
04. Sonic Youth
05. At the Drive-In
06. Weezer
07. Mogwai
08. Pixies
09. Suicidal Tendencies
10. Sly & The Family Stone

Estas são as 10 bandas que dominaram meus players na última semana, segundo a Last.fm. Este serviço que mistura comunidades e web radio é das coisas mais legais da Internet hoje em dia. Se você também é um viciado em música, pode começar a conhecer o serviço pelo meu perfil, depois é fazer seu cadastro e baixar o ótimo player e os plug-ins necessários para se divertir com a rádio.

Recado

Quinta-feira, 22 Setembro 2005

HOJE É O PRIMEIRO DIA DO RESTO DA SUA VIDA (*)

Hoje é o primeiro dia
Do resto da sua vida
E da minha também
E então
Sente no meu colo

(*) Entregue a você pelos “mensageiros” Sergio Dias e Arnaldo Baptista, porque é meu papel te apresentar as músicas mais engraçadas que você já ouviu na sua vida!


Crônica da semana

Quarta-feira, 21 Setembro 2005

O tema desta semana no Mimeographo é “Inferno”, e minha crônica é Abandono. Leiam e comentem.


Poa

Terça-feira, 20 Setembro 2005

Um grande amigo, também egresso lá do famigerado curso de Administração de Empresas da USP, ficou sabendo que vou brincar de vestibulando de novo e na hora me escreveu propondo que tentássemos o vestibular da UFRGS, em Porto Alegre. Eu disse que não, que amo Poa, mas que minha vida ainda está em São Paulo. Também disse que ainda não tenho certeza de que curso vou prestar, e que por isso não queria me deslocar 1200 km ao sul apenas para uma aventura assim.

Hoje a Cris, uma das pessoas que mais adoro e a única do mundo que eu deixo que me chame de “Dodô” – acho lindo e carinhoso da parte dela, apesar de me sentir uma ave extinta – me mandou esta imagem que ilustra o post, feita da sacada da casa dela no bairro Três Figueiras, para que eu use de wallpaper aqui, e sinceramente o coração ficou apertado. Deu vontade, por um longo momento, de realmente largar tudo e tentar um curso qualquer nos pampas, seja ou não uma aventura (afinal, que seria a vida sem elas?). Fazer algo assim para correr o risco, para mudar de ares, mesmo que possa dar errado. Amo aquela cidade e me sentiria em casa cursando a faculdade lá. Deus sabe como a saudade das pessoas que amo bate forte nessa hora…

Mas sair de São Paulo agora me parece mais uma fuga que qualquer outra coisa. Ainda tenho muito para conquistar em terras bandeirantes antes de pensar em me mudar. Até lá, vou ao sul sim, muitas vezes, mas para estar com meus amigos queridos e esquecer um pouco da vida tomando chimarrão.

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Fiz mudanças no blogroll do Me, Myself And I. Haviam blogs mortos e abandonados faz tempo. Resolvi deixar a lista mais enxuta e acrescentar algumas novidades. Lembre-se que “acessar um endereço do meu blogroll por dia dá saúde e alegria”. Os novos participantes são: Eu escrito, Jornalista de merda, Carta de Londrina, Nós na rede, Olho cínico, Pirão sem dono, Rock de índio, Balanço ou arrasto?, Antonomásia, Sublinhado, Jogos perdidos, Esquizofrenia viral e o fotolog da Luninha.


Hank Williams

Domingo, 18 Setembro 2005

No Tonypierce.com, sábado:

“Hoje é aniversário de Hank Williams. O Rock n’ Roll é a combinação da música negra com a música branca. A música negra é a combinação do delta blues (Mississipi), do Chicago blues, do Gospel dos escravos do sul e do Soul.

A música branca é a combinação de Hank Williams com mais Hank Williams.

(…) E não me venha falar em música clássica porque a música clássica é simplesmente a ausência da música negra e de Hank Williams, e é por isso que ela funciona tão bem em cartoons.”

Hank Williams é um dos grandes “porra-loucas” da história da humanidade e ícone maldito da música country estadunidense. Confesso que ainda não conheço muito de sua obra, mas sou obrigado a concordar com o Tony. Qualquer um que tenha escrito “There Is A Tear In My Beer” só pode ser genial, e merece ser um de meus ídolos.

“There’s a tear in my beer
’cause I’m cryin’ for you,dear
you are on my lonely mind.
Into these last nine beers
I have shed a million tears.
You are on my lonely mind
I’m gonna keep drinkin’
until I’m petrified.”


Mais um meme

Domingo, 18 Setembro 2005
Eu.* Maluco entre os caretas e careta entre os malucos.** Indeciso? Absolutamente. Não estar perfeitamente encaixado em grupo algum me permite observar e aprender sobre tudo e sobre todos com o único compromisso de ser eu mesmo, afinal a necessidade de Pertencer a uma “tribo” qualquer ficou na adolescência. Não conheço meios termos nem meias palavras. “Se você não quer ouvir toda a verdade, não pergunte a opinião do Donizetti, já falaram sobre mim, com razão. Sou tímido, muito tímido. A face queima e o estômago dói, mas amo ter a atenção das pessoas e nasci para falar em público. Paradoxo. Adoro as palavras e adoro mais ainda brincar com elas. Sei mentir muito bem, mas não o faço - ou faço, mas apenas aqui no blog. Sinceridade é das poucas coisas que tenho para entregar ao mundo. Sou intenso. De extremos. Sempre. Amo ou deixo – e como amo… Sinto-me um grande bobo, e acho que estar assim deveria ser um direito constitucional de todo apaixonado – e me entrego, e sofro quando é necessário sofrer. Já estive, apenas nesta vida, no céu, no inferno e no purgatório, e sobrevivi aos três. Por isso, apesar das dificuldades, sinto-me um forte. Tenho cara de bravo, e sou. Mas sou também carinhoso e bem humorado. Segundo paradoxo. Levo a vida a ferro e fogo - a coisa mais verdadeira já dita sobre mim em uma briga. Pavio curto? Como, se nem tenho pavio? Ainda assim, se o mundo desabou e uma pessoa ponderada e calma é necessária, estou lá. É o terceiro paradoxo. Resolvo os problemas do mundo, mas nem sempre os meus. Quarto paradoxo e chega de contar! Não duvido de nada, mas também não acredito em tudo. Sou cético e religioso. Seria o quinto paradoxo se estivéssemos contando. Gosto e preciso dos rituais para manter a serenidade e a sanidade. A sabedoria está mesmo na humildade, mas nem sempre sou sábio. Sou uma ameba epilética com a bola nos pés, mas sinto-me Jordan nas quadras de Basquete. Amo a adrenalina da competição. Nunca aprendi guitarra, mas canto, e ainda serei trompetista. Acredito que minhas 356 bandas favoritas me dão o melhor gosto musical do mundo. Sou um menino que se encanta com cada nova descoberta e um idoso que já viu de tudo. Sou um sonhador que voa sem tirar os pés do chão – alguém falou em paradoxo? Tenho meus medos, mas ainda acredito que posso dominar o mundo. E você?

* Idéia copiada dos meus queridos amigos da Cidade Maravilhosa, Viva e Bruno.

** Frase “emprestada” da Chris Nóvoa, mas não devolverei mais…


Mudanças no Orkut

Segunda-feira, 12 Setembro 2005

O Google decidiu alterar o sistema de login do Orkut. A partir de hoje os usuários serão convidados a usar a “Google Conta” (login e senha do Gmail) para entrar no site. A nova regra não vale para todos os usuários desde já. Segundo o FAQ a respeito da mudança, grupos de usuários serão obrigados a mudar, gradativamente, até que todos usem o novo sistema para entrar no serviço. Se você ainda não tem Gmail e quer continuar usando o Orkut, deixe comentário com e-mail que eu mando o convite!

UPDATE: A leitora e assessora jurídica deste blogueiro, a Irma, corrige a informação dada neste post sobre o Gmail ser necessário para acessar o Orkut. Se você é dono de uma conta no serviço de e-mail do Google você pode sim entrar diretamente no Orkut. Senão, é só entrar na página Contas do Google e criar uma conta com qualquer endereço de e-mail que você quiser. Depois você receberá um e-mail pedindo para confirmar seu endereço e, feito isso, poderá associar normalmente sua conta do Orkut com o e-mail escolhido.