POA e FSM

Segunda-feira, 31 Janeiro 2005
Tenho lido no ótimo [por um punhado de pixels] uma série de posts sobre a estadia do Nemo Nox em Porto Alegre. Hoje mesmo ele escreveu sobre um passeio que fez no Brique da Redenção. Bah, estou me mordendo de inveja até agora. Sou paulistano de corpo e alma e me orgulho disso, mas se tem um lugar que faz bater mais forte meu coração é POA. São tantos os lugares e tantas as pessoas queridas… Até do chimarrão sinto falta. Agora então nem se fala. Porto Alegre com aquele calor absurdo que só quem esteve lá em janeiro conhece e eu aqui já mofando com tanta umidade, tendo que desviar das goteiras para ir a qualquer canto da casa.
Estou me lamentando também por não ter ido desta vez ao Fórum Social Mundial. Confesso que adoro participar do evento. As discussões na beira do Guaíba batem com minhas ideologias? Nem um pouco, mas como me divirto! Vejam bem, existe mesmo uma série de movimentos sociais importantes de todo o mundo representados ali. Muitas boas iniciativas podem ser conhecidas e discutidas, e nada como estar entre pessoas de mais de oitenta países reunidas em um só lugar. O problema é que o evento há muito não tem nenhum foco (se é que já teve algum dia). Agora que o PT é governo, ainda mais pragmático do que era o PSDB no poder, e não comanda mais a cidade de Porto Alegre, muitos participantes devem ter se perguntado “o que estamos fazendo aqui afinal?” durante a última semana. Como disse poucas linhas acima, há sim muito que se aproveitar no FSM, mas o evento é quase que todo dominado pela gritaria daquela turma de socialistas de boutique, que acham que vão mudar o mundo porque estão vestindo vermelho e repetindo o mantra de que “um novo mundo é possível sim.”
Apesar de ter muita simpatia pelo PT, ao menos pelo PT pré-governo, eu sempre tentei separar essa tendência vermelha radical daquilo e de quem eu gostava no partido.
Imagino o que essas pessoas fariam com o poder nas mãos, e tenho medo. Não ia agüentar projetos de lei tornando o estilo neo-hippie obrigatório. E a participação em fóruns anteriores apenas reforçou este medo em mim, mesmo que eu sempre dê boas risadas dos absurdos que a gente acaba ouvindo por lá. Abaixo alguns exemplos, frases que recolhi em edições anteriores:
>> “A democracia é uma grande merda. Ninguém precisa disso, e Fidel Castro é lindo.”
>> “Lembro até hoje dos atentados 9/11. Fui para um bar comemorar e até chorei de felicidade.”
>> “Pelé x Maradona? Claro que Maradona! Pelé foi ministro da Social Democracia.”
Porto Alegre é uma cidade querida e amada, a fudê, com ou sem FSM. Quero logo voltar lá. Preciso. Mas é realmente uma pena que não tenha sido agora. Apesar de tudo, guardo boas lembranças do futebol contra o grupo de argentinos completamente bêbados e principalmente daquelas moças de dezoito anos recém completos com vestidinhos de tecido fino e florido, todas altinhas já, cantando Chico Buarque e brincando de roda, descalças! (suspiro)

Lennon

Domingo, 30 Janeiro 2005
“O que parece mais engraçado, ao se prestar atenção à história de Lennon, é que apesar de tudo o que disse, e de tudo em que acreditava, ele não conseguiu mudar muita coisa. George W. Bush pertence à geração que cresceu ouvindo Lennon. A grande mudança que se pode apontar, na realidade, é que o protesto não vende mais tantos discos. Está tudo banalizado e minimizado, foram todos absorvidos pelo temível establishment. Sintonizado com o seu tempo como era, é provável que hoje Lennon estivesse vindo se apresentar no Brasil, trazendo na bagagem a mulher e o filho, para encantar um público que viveu os anos 60 à distância cantando Imagine pela milésima vez, ou revivendo os Beatles para cantar I Want to Hold Your Hand no mesmo microfone que Paul McCartney.”
O Rafael Galvão escreveu um post definitivo sobre John Lennon. Muito bom para começar o domingo.

Babi… Bárbara…

Sábado, 29 Janeiro 2005
“Ainda bem que depois que cresci deixei de alimentar meu coração com a pobre dieta das paixões platônicas, que só têm graça para filósofos gregos e adolescentes cheios de espinhas e dúvidas existenciais.”
O trecho acima é parte de um dos ótimos posts recentes do Inagaki sobre amor. Algumas coisas estão me fazendo pensar mais neste estranho sentimento nos últimos dias. Tive há pouco uma conversa filosófica a respeito com uma encantadora amiga que, para minha felicidade, resolveu ter um blog - logo deixo o link aqui - e o próprio post do Inagaki sobre o primeiro amor platônico dele me fez lembrar dos meus também. Ontem eu conversava com um amigo dos tempos do colégio, companheiro do time campeão de basquete do município em 1991- quanta nostalgia - e temos relembrado muitas coisas daquele tempo. As bandas que ouvíamos, as aulas cabuladas, as pessoas… Ontem perguntei se ele lembrava da Babi. A resposta foi “como alguém poderia esquecer a Babi?” No mesmo momento voltei no tempo e me vi lá com 15 anos recém completos, ainda magro, e com mais espinhas no rosto que vulcões no Pacífico. Era completamente tímido, carregava ainda o estereótipo do cdf meio avoado que havia conquistado no outro colégio e estava morrendo de medo de todas aquelas pessoas diferentes.
No primeiro dia de aula eu estava lá apavorado, sentado na frente da sala para estar perto do professor e não ser mais uma vez coberto de tinta por ser calouro, quando entrou aquela garota absolutamente linda. Bárbara era mais velha - o que naquela época contava muito para mim - morena jambo, olhos negros, um sorriso cativante que parecia nunca abandonar seu rosto. Os olhos tinham uma vivacidade enorme, não perdiam nada do que ocorria a sua volta. Estava sempre de jeans apertado (ah, aquele jeans apertado) e camiseta, e esta combinação para mim era melhor que qualquer vestido de festa. Era daquelas pessoas que te davam atenção exclusiva. Quando falava comigo sempre me olhava nos olhos e parecia ouvir atentamente cada palavra, enquanto eu ficava tentando esconder meu encanto com o rosto dela, com a pele dela e, principalmente, com o cheiro dela.
Os jogos de basquete eram o grande acontecimento do colégio. Muitos jogavam e muitos assistiam. O melhor deles para mim foi quando depois de uma jogada eu corri pela lateral da quadra e ouvi a Babi comentando “nossa…” Claro que poderia ser “nossa que desengonçado” ou “nossa, que calção ridículo” (era amarelo), mas acho que nunca me senti tão feliz. Passei o restante do jogo correndo sem sentir o chão, sempre procurando o olhar dela. Acho que nunca fiz tantas besteiras em quadra. O máximo que consegui fazer para insinuar meus sentimentos foi dar de presente a ela uma fita cassete com o primeiro disco do Faith No More. Lembro até hoje que meu rosto queimava de tão vermelho. Uma menina estava perto e disse que queria uma fita também, e eu respondi “é só você comprar uma que eu te gravo também.” Não esqueço a cara de surpresa da menina e o olhar carinhoso da Babi, que ria muito, acho que da minha cara. Como eu sonhava apenas ter a oportunidade de ficar conversando com ela na calçada em frente ao colégio por algumas horas, quem sabe pegar na mão dela ou até mesmo um abraço? Durante o ano letivo ela mudou de escola e nunca mais a vi. Sofri muito.
Hoje eu vejo o amor de uma maneira muito prática. Tento evitar ao máximo as ilusões e expectativas quando estou apaixonado. Não estou gostando de ninguém e acho que nem sinto muita falta disso, talvez eu tenha esfriado muito nos últimos tempos. Mas quando lembro da Babi sinto falta do amor platônico, sinto falta do efeito que ele tem sobre mim. Nestas horas, acabo discordando do Inagaki quando diz que não troca um beijo gostoso na boca por milhões de oníricos. Acho que eu troco sim. Os beijos sonhados com a Babi foram mais interessantes que muitas das ficadas de fim de noite com meninas das quais nem lembro o nome. E concordo com a frase da Renata Parpolov lá no post, citando um tal Ganymedes José: “Amor platônico é um jeito de voar, porque alivia os pés cansados de só andarem na terra“. Alguém teria notícias da Babi para me dar? Pago bem!

15 anos - Ira!
Quando me sinto assim
Volto a ter 15 anos
Começando tudo de novo
Vou me apanhar sorrindo

Seu amor hoje
Me alimentará amanhã (…)
Vivendo e não aprendendo
Eis o homem, este sou eu.


igualdade para os peitos

Sexta-Feira, 28 Janeiro 2005
Acabo de ler aqui que a defensora pública norte americana Liana Johnsson está promovendo no estado da Califórnia a campanha igualdade para os peitos, para legalizar a nudez dos seios femininos em locais públicos. Segundo ela, este é um dos últimos direitos dos homens que as mulheres, injustamente, ainda não podem ter: o de tirar a camisa em público. Quem disse que os EUA só nos dão notícias ruins, não é verdade? Eu concordo completamente com a campanha da moça e já começo um abaixo-assinado para que a questão seja discutida na ONU. Já estou também escrevendo uma carta buscando mais detalhes sobre este projeto revolucionário.
Apenas acho que a coisa toda deve ser muito bem regulamentada, pelo bem de todos os envolvidos. Antes de tudo, a lei mais importante a ser respeitada ai, que não pode ser contrariada de maneira alguma, é a da gravidade. Traçando-se uma linha reta imaginária entre as duas (ou mais, vai saber) pontas - ou bicos, ou mamilos - dos seios de uma determinada moça, ela só poderá tirar a parte de cima da roupa em público se tal linha tiver distância mínima de 25 cm - valor a ser discutido - ou dois palmos do umbigo dela. Mulheres sem camisa cujas pontas dos seios estiverem abaixo da distância regulamentar em relação ao umbigo serão multadas. Em casos graves, onde a moça de topless tiver as pontas dos seios alinhadas com o umbigo, a pena é de prisão por crime hediondo. A régua obrigatoriamente será item do material da policia, para a correta fiscalização. Em caso de seios siliconados ou turbinados, a moça deverá se apresentar a uma comissão julgadora, e só depois terá direito ao topless. Igualdade sim, mas em nome dela não podemos deixar que pessoas saiam por ai assustando as crianças. Feitas as devidas ressalvas, apoio totalmente a campanha! Leia aqui a notícia completa(em inglês)

Pelé, Eterno!

Quarta-feira, 26 Janeiro 2005
Acabo de assistir Pelé Eterno (Aníbal Massaini, 2004). Éverdade que em termos de cinema o documentário, se é que pode ser chamado assim, deixa muito a desejar. Mas o futebol não. Ópio do povo? Talvez seja realmente mais um deles, mas e daí? Acho que a vida seria muito pouco suportável sem um pouco de ópio. Que me perdoem os sociólogos, economistas, filósofos e intelectuais em geral, mas quem não entende toda a magia que envolve este esporte entende pouco de Brasil e tão pouco sobre a vida…
Sempre vi o que se passa em campos e quadras como uma incrível alegoria das glórias e desgraças humanas, e isto é fascinante.

25 de janeiro

Terça-feira, 25 Janeiro 2005

São Paulo. Tão cinza, suja, caótica. Tão bela. Tão minha. Tua beleza não salta aos olhos como é tão comum nas cidades brasileiras. É preciso adentrar em ti, nas entranhas, sem medo, e só assim descobrir porque és tão cativante. É preciso mergulhar em ti para perceber esta paz que apenas sou capaz de sentir aqui. Tua beleza está presente em tuas pessoas. Em cada rosto sofrido, em cada olhar furtivo tão raro em meio à correria. São Paulo da Pompéia dos Mutantes. Do Jaçanã e do Tremembé, de Adoniran Barbosa e do meu avô. São Paulo da Vila Mariana do Ira! São Paulo do Brás, do Bixiga e da Barra Funda, dos oriundi. São Paulo da Lapa, da Casa Verde, da Mooca e do Clube Atlético Juventus. São Paulo do samba e dos punks. São Paulo dos modernistas, concretistas e tropicalistas. São Paulo dos italianos, árabes, japoneses. Dos nordestinos, gaúchos, mineiros… São Paulo de todos! Parabéns!

Estrela Ruiz Leminski

Domingo, 23 Janeiro 2005


Estrela Ruiz Leminski

“Não querer ser sempre
Para pra sempre ser
Isso eu aprendi com o vento
Saudade eu tenho de tudo
O que a gente vai viver
Mas ainda não teve tempo.”
(do livro Cupido: Cuspido, Escarrado)

Ela está publicando este primeiro livro pela editora AMEOPOEMA, de Porto Alegre (matéria na Folha deste sábado, 22/01). É filha do já citado aqui Paulo Leminski, uma das minhas melhores descobertas recentes no campo da literatura. Para o bem ou para o mal, estes hai kais deixam bem claro que é filha dele. A influência é bastante visível, mas não parece ofuscar a personalidade impressa em cada poema. Além do que, tendo apenas 23 anos ela ainda tem muito que desenvolver, e parece ter começado bem. Também é baterista da banda de Curitiba Casca de Nós, que você pode ouvir aqui. Já escrevi aqui que mulheres que tocam em bandas são outro de meus fetiches? Eu não passo de um groupie!

Blônicas

Sábado, 22 Janeiro 2005
Blônicas é um blog que reúne sete cronistas diários e seus convidados especiais. Em ordem alfabética, o time é composto por: Ailin Aleixo, Antonio Prata, Edson Aran, Evandro Daolio, Gisela Rao, Henrique Szklo, Leo Jaime, Lusa Silvestre, Nelson Botter Junior, Paulo Castro e Xico Sá.” - texto retirado do feed do blog.
Idéia muito interessante reunir estes cronistas, mesmo que vários deles sejam figurinhas super expostas na Internet ou em periódicos. Já vale muito a pena só pela presença da minha musa, a mulher honesta Ailin Aleixo. Para quem gostar do formato, vale experimentar também o ótimo Tiro e Queda!

Não acreditem em mim!

Sexta-Feira, 21 Janeiro 2005
“As pessoas que falam muito mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades”. Millôr Fernandes
Continuo minha eterna luta para falar menos e ouvir mais, pois me disseram que seria bom. O problema é que gosto tanto da minha voz…
[Ouvindo: Girls & Boys - Blur]

Okê Arô, Oxóssi!

Quinta-feira, 20 Janeiro 2005
Hoje é dia de São Sebastião. Parabéns para a Cidade Maravilhosa! Parabéns para a Portela (uma das únicas escolas de samba ou comunidades que eu realmente admiro). Parabéns para a cidadezinha de São Sebastião do Paraíso, em Minas, terra de meus antepassados. Parabéns para os filhos e protegidos de nosso pai Oxóssi. Já vou agora acender minha vela verde!