O trecho acima é parte de um dos ótimos
posts recentes do
Inagaki sobre amor. Algumas coisas estão me fazendo pensar mais neste estranho sentimento nos últimos dias. Tive há pouco uma conversa filosófica a respeito com uma
encantadora amiga que, para minha felicidade, resolveu ter um blog - logo deixo o link aqui - e o próprio
post do Inagaki sobre o primeiro amor platônico dele me fez lembrar dos meus também. Ontem eu conversava com um amigo dos tempos do colégio, companheiro do time campeão de basquete do município em 1991- quanta nostalgia - e temos relembrado muitas coisas daquele tempo. As bandas que ouvíamos, as aulas cabuladas, as pessoas… Ontem perguntei se ele lembrava da
Babi. A resposta foi “como alguém poderia esquecer a
Babi?” No mesmo momento voltei no tempo e me vi lá com 15 anos recém completos, ainda magro, e com mais espinhas no rosto que vulcões no Pacífico. Era completamente tímido, carregava ainda o estereótipo do
cdf meio avoado que havia conquistado no outro colégio e estava morrendo de medo de todas aquelas pessoas diferentes.
No primeiro dia de aula eu estava lá apavorado, sentado na frente da sala para estar perto do professor e não ser mais uma vez coberto de tinta por ser
calouro, quando entrou aquela garota absolutamente linda.
Bárbara era mais velha - o que naquela época contava muito para mim - morena jambo, olhos negros, um sorriso cativante que parecia nunca abandonar seu rosto. Os olhos tinham uma vivacidade enorme, não perdiam nada do que ocorria a sua volta. Estava sempre de jeans apertado (ah, aquele jeans apertado) e camiseta, e esta combinação para mim era melhor que qualquer vestido de festa. Era daquelas pessoas que te davam atenção exclusiva. Quando falava comigo sempre me olhava nos olhos e parecia ouvir atentamente cada palavra, enquanto eu ficava tentando esconder meu encanto com o rosto dela, com a pele dela e, principalmente, com o cheiro dela.
Os jogos de basquete eram o grande acontecimento do colégio. Muitos jogavam e muitos assistiam. O melhor deles para mim foi quando depois de uma jogada eu corri pela lateral da quadra e ouvi a
Babi comentando “nossa…” Claro que poderia ser
“nossa que desengonçado” ou
“nossa, que calção ridículo” (era amarelo), mas acho que nunca me senti tão feliz. Passei o restante do jogo correndo sem sentir o chão, sempre procurando o olhar dela. Acho que nunca fiz tantas besteiras em quadra. O máximo que consegui fazer para insinuar meus sentimentos foi dar de presente a ela uma
fita cassete com o primeiro disco do
Faith No More. Lembro até hoje que meu rosto queimava de tão vermelho. Uma menina estava perto e disse que queria uma fita também, e eu respondi “é só você comprar uma que eu te gravo também.” Não esqueço a cara de surpresa da menina e o olhar carinhoso da
Babi, que ria muito, acho que da minha cara. Como eu sonhava apenas ter a oportunidade de ficar conversando com ela na calçada em frente ao colégio por algumas horas, quem sabe pegar na mão dela ou até mesmo um abraço? Durante o ano letivo ela mudou de escola e nunca mais a vi. Sofri muito.
Hoje eu vejo o amor de uma maneira muito prática. Tento evitar ao máximo as ilusões e expectativas quando estou apaixonado. Não estou gostando de ninguém e acho que nem sinto muita falta disso, talvez eu tenha esfriado muito nos últimos tempos. Mas quando lembro da
Babi sinto falta do amor platônico, sinto falta do efeito que ele tem sobre mim. Nestas horas, acabo discordando do
Inagaki quando diz que não troca um beijo gostoso na boca por milhões de oníricos. Acho que eu troco sim. Os
beijos sonhados com a
Babi foram mais interessantes que muitas das
ficadas de fim de noite com meninas das quais nem lembro o nome. E concordo com a frase da
Renata Parpolov lá no
post, citando um tal
Ganymedes José: “
Amor platônico é um jeito de voar, porque alivia os pés cansados de só andarem na terra“. Alguém teria notícias da
Babi para me dar? Pago bem!